Eu estava em Sertania, sertão de Pernambuco, na fazenda da minha prima Edda, há alguns anos. Mês de junho, tudo verdinho, calor escaldante durante o dia e friozinho gostoso à noite. Casa aconchegante, arejada, cheia de hortas e muitas galinhas e guinés soltos no terreiro. Próximo a casa, um açude de onde só se ouvia os gritos dos marrecos.
Que o Ibama não leia, mas naquele tempo não havia tantas proibições, porque no meio da tarde o marido da minha prima anunciou:
- Vou caçar o nosso almoço de amanhã!
E lá se foi ele, vira-lata do lado, cartucheira cheia de munição e espingarda em punho. Da casa só se ouvia os tiros, e a cada balaço a gente dizia: mais um!.
Lá pras tantas o fez-se o silêncio. E lá vinha ele... De mãos vazias, cartucheira vazia e irado.
Diante da nossa surpresa, depois de tantos tiros e... Nada! Estávamos todos com um rizinho entre os lábios, mas ele não se fez de rogado. Olhou em volta do terreiro e partiu para o ataque.
Quanto mais ele corria, mais os guinés corriam dele. A cada investida uma queda. Depois da terceira queda, ele se apoquentou. Deixou a poeira assentar no terreiro e calmamente pegou a espingarda de volta. Com dois tiros certeiros estava garantido o nosso almoço do dia seguinte. Eis a receita.
Ingredientes
2 guinés limpos e cortados (separe as carcaças para o caldo)
100 g de bacon em cubos
2 cebolas roxas picadas
4 tomates sem pele picados
3 dentes de alho amassados
2 ramos de alecrim fresco
2 folhas de louro
100 ml de cachaça
Sal de pimenta do reino a gosto
1 litro de caldo, aproximadamente, feito com a carcaça dos guinés.
Caldo
As carcaças dos guinés
2 dentes de alho
2 tomates em pedaços
1 cebola em pedaços
1 colher de sopa de extrato de tomate
1 fio de óleo
Sal a gosto
Faça um refogado com os temperos e as carcaças. Adicione água fervente, deixe apurar um pouco em fogo baixo. Coe e reserve. Se preferir utilize caldo de galinha industrializado, nesse caso, utilize todo o guiné para cozinhar.
Tempere as coxas, sobrecoxas, as asas e os peitos dos guinés com sal, pimenta do reino, 3 dentes de alho amassados, os ramos de alecrim e as folhas de louro e deixe marinar por pelo menos 8 horas na geladeira.
Em uma panela, preferencialmente de ferro, barro ou pedra sabão, frite o bacon em cubos e refogue o restante do alho, as cebolas e os tomates. Ponha os pedaços de guiné, refogando-os até ficarem dourados. Acrescente a cachaça, os temperos da marinada, tampe a panela e deixe ferver. Vá adicionando, aos poucos, o caldo ao longo do cozimento até que esteja reduzido e a carne esteja macia. Acerte o sal.
Sirva com arroz refogado feito na panela em que foram cozidos os guinés.
Serve bem de 6 a 8 pessoas.
Você sabia?
A galinha d'angola, galinha-do-mato, capote, guiné ou pintada, chamada cientificamente de Numida melagris galeata, é parente dos faisões. Gosta de viver em grupos e é muito barulhenta.
Quando se sente ameaçada, apresenta uma característica marcante e diferente de outras aves: prefere correr a voar.
A carne da galinha d'angola tem consistência firme e é muito saborosa, sendo comparada à do faisão. Tem um sabor mais denso que a da galinha comum. Na culinária francesa é a famosa "pintade", ingrediente de pratos sofisticados.
Semelhante às carnes de caça, tem baixo teor de gordura. Excelente para pratos cozidos, com molhos mais encorpados e, também, para assar.
Boa para compor o cardápio de pessoas de todas as idades, por ser de fácil digestão e fonte rica de proteínas de alto valor biológico, além do teor de vitaminas do complexo B.
Até domingo!


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